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Todo mundo tem os seus preferidos nos seus assuntos também preferidos. Como quem já leu esse blog sabe, um dos meus assuntos preferidos é Design editorial e, por consequência, tipografia. E eu tenho meus preferidos: Ed Benguiat (Ephram Edward Benguiat) e Adrian Frutiger.

Acho muito difícil encontrar histórias legais sobre tipografia na Internet. Também acho importante para quem se interessa por Design saber um pouco mais sobre a história daquilo que usa nos seus trabalhos. Conhecer a história de um tipo ajuda na sua aplicação correta.

Por que estou falando tudo isso? Li uma ótima reportagem do Ricardo Pagemaker, na revista especializada em produção gráfica Professional Publish, sobre uma de minhas fontes (e tipógrafo) preferidos: Benguiat e Ed Benguiat, respectivamente. Achei tão interessante que gostaria de compartilhar algumas coisas legais que li com quem lê meu Blog (falar nisso, muito obrigada!).

O tipo Benguiat, diferente da maioria, surgiu por acaso. Foi criado a partir de um projeto mal sucedido. Por volta de 1970, enquanto trabalhava com Herb Lubalin (é, ele mesmo, criador da Avant Garde…), um amigo pediu a Ed que lhe criasse um logotipo para uma loja que este iria abrir. Embora Ed tivesse criado vários tipos de traço bem acabado, o seu amigo rejeitou vários deles, inclusive um que o próprio Ed passou a simpatizar. Os traços que geraram essa simpatia deram origem à tão conhecida fonte Benguiat que conhecemos hoje.

Embora seu amigo não tivesse gostado, Ed não desistiu e passou a trabalhar na sua simpática fonte. Lubalin pediu explicações. Pediu um bom motivo para todo aquele trabalho num tipo que tinha sido rejeitado e, se Ed Benguiat não tivesse um bom motivo, deveria interromper seu projeto. Mas Ed (eu sou fã dele) não desistiu. Submeteu seu projeto à diretoria da Internacional Typeface Corporate (ITC), que rejeitou. Persistente, Ed Benguiat fez modificações e apresentou sua família de fontes mais três vezes até que, em 1976, a Benguiat foi aprovada pela ITC para ser comercializada, o que passou a ocorrer, de fato, em 1977.

Em 1979, Ed Benguiat lançou a Benguiat Gothic, versão mais fina e arredondada de sua precursora. Graças à persistência do Ed – ele mesmo, O Cara – temos a Benguiat: clássico da tipografia mundial.

O nova-iorquino Ed Benguiat  desenhou muitas outras fontes, acredita-se que algo em torno de 900. Continua a criar, dar paletras e ensinar por aí a fora. Esteve no Brasil em 2008, numa palestra promovida pela ESPM. Alguns de seus tipos mais conhecidos fazem parte do portfólio da ITC: ITC Benguiat, ITC Benguiat Gothic, ITC Edwardian Script, ITC Souvenir, Benguiat Frisky, ITC Tiffany e muitas outras, além da colaboração em diversos projetos. Por isso, ele é um dos Grandes Caras da Tipografia.

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