Excluindo-se aqueles casos em que as fontes (os designers, como eu, preferem “tipos”) são utilizadas como verdadeiras obras de arte (este é um exemplo deste caso) todo mundo deveria saber em primeiríssimo lugar o que até minha priminha de 7 aninhos sabe: uma fonte é bem utilizada quando o público consegue ler aquilo que foi escrito com o mínimo esforço.

Às vezes, por preguiça, por querer ser inovador, por simpatia com o tipo ou mesmo por falta de conhecimento deste ponto muita gente comete erros graves na construção de uma peça, no que se refere ao quesito tipografia, que podem ir desde fazer uma peça feia e primária até uma catástrofe: ninguém entender nada do que está escrito e o seu trabalho ser jogado no lixo.

Para evitar que isso aconteça, na dúvida, observe os pontos abaixo. Mas lembre-se nada disso é regra. Todas as coisas dependem de um contexto. É preciso muito mais que um checklist ou uma receita de bolo para uma peça ter um conjunto tipográfico bem composto.

1)      Evite usar muitas famílias de fontes diferentes em uma mesma peça. A não ser que sua peça queira destacar algo sobre tipografia. Na grande maioria dos casos duas famílias são o suficiente. Por exemplo: você quer fazer um flyer usando fontes com serifa e sem serifa. Se você decidir usar as famílias Helvética e Garamond, terá, no mínimo, 83 variações entre Bold, Light, Italic, Condensed, Thin, Rounded… e assim vai. Não vai precisar mais do que isso, né?

2)      Use, sempre que possível, fontes OpenType. Ou se for imprimir profissionalmente, não use fontes TrueType.  As fontes TrueType são um avanço em relação àquele tempo onde as fontes eram todas pixelizadas e era um suplício aumentar ou reduzir o seu tamanho no começo da década de 80. Mas se você não trabalha com Mac ou Windows, vai ser impresso em fotolito ou se o seu arquivo vai passar por um CTP, usar fonte TrueType é suicídio: na maioria das vezes caracteres especiais são substituídos por quadrados, losangos e pontos… pra garantir, use OpenType.

3)      Não “esprema” ou “estique” o seu texto manualmente. Os tipos são desenhados (ou pelo menos deveriam ser) para terem a melhor visibilidade possível. Quando você modifica isso manualmente mexendo na altura ou largura do texto sem conhecimento vai prejudicar a legibilidade: deslocar as flexões, retirar a harmonia das hastes, reduzir ou ampliar demais os olhos, achatar terminais, entre outros. E se você não entendeu nada desta última sentença, acredite, você não está habilitado a “corrigir” o trabalho de um tipógrafo.

4)      Evite usar palavras, parágrafos, sentenças ou outras coisas inteiramente em caixa alta (tudo em maiúsculo). A explicação é bem simples: quando um texto está todo em caixa alta todas as letras ficam do mesmo tamanho e isso, cognitivamente, torna a vida de quem lê mais difícil. Na pior das hipóteses, tente o recurso de versalete.

5)      Conheça os principais estilos de fonte e use um apropriado para o contexto. Geralmente estilos cursivos não funcionam bem todas em maiúsculas. Estilos blackletter só deveriam ser usados em textos completos se você estiver criando material com contexto épico e mesmo assim, com cuidado.  Fontes pixelizadas costumam funcionar melhor em tamanhos menores e, contrariando o ponto 4, geralmente em uppercase.  Para leitura em tela, as fontes sem serifa costumam ser mais apropriadas, no caso do papel, costuma ser exatamente o contrário que cansa menos a vista.

6)      Se for usar fontes gratuitas tome a precaução de saber se é uma fonte bem desenhada. Se não souber exatamente distinguir uma bem desenhada de uma que não é, procure referências de outros designers.

Para tipos show de bola:

Grátis:

http://www.fontsquirrel.com

http://abduzeedo.com/tags/ffff

Pagos:

http://www.adobe.com/products/fontfolio/

http://www.myfonts.com/category/myfonts/index.html

http://www.linotype.com/